Veterinário tem que fazer o que o cliente pede?

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Edição 281 – 20/02/19 a 20/03/19
Amor aos bichos
Dr. Jayme Sandall Junior – CRMV-RJ 7122 / desvet.blogspot.com

A relação entre os médicos veterinários e os proprietários dos animais é, muitas vezes, de amizade e confiança. Geralmente é criado um vínculo de afeto. Isso é excelente e altamente desejável.

Mas, essa relação não deixa de ser profissional, e comercial.

Os proprietários pagam por um serviço.

Donos de animais têm diversos direitos nessa relação de prestação de serviço. Eles querem o melhor para seus amigos, e têm o direito – aliás, o dever -, de pedir aos médicos veterinários o melhor serviço possível.

Mas coloco aqui uma questão interessante: o médico veterinário deve fazer tudo o que o cliente pedir? O proprietário de um animal de estimação tem o direito de pedir o que quiser, e tem o direito de ser atendido pelo profissional, já que está pagando por um serviço?

A resposta, em minha opinião, é não.

Obviamente o profissional deve fazer aquilo que o proprietário, seu cliente, lhe pede.

Mas, antes de mais nada, o médico veterinário deve seguir uma lei absoluta, que deve ficar acima de qualquer coisa: o código de ética.

Darei aqui dois exemplos para ilustrar o que estou querendo dizer.

Primeiro exemplo: imagine um cliente, dono de um cachorro, que decida que quer cortar as orelhas de seu cão, por motivo de estética. Ele acha que seu cão ficará mais bonito de orelhas cortadas. Deve o médico veterinário fazer esse serviço? A meu ver, a resposta é não. Não se deve mutilar qualquer animal por questão de simples estética. Tudo deve ser feito sempre com o intuito de se melhorar a qualidade de vida do animal.

Outro exemplo: um proprietário pede para que seu animal de estimação seja sacrificado. Motivo: está muito velho e dando trabalho; ou o dono vai se mudar e não tem com quem deixar o pet; ou ainda porque está com uma doença grave que vai custar muito tempo e dinheiro para o tratamento.

Nesse exemplo, novamente deixo minha opinião: o médico veterinário não deve fazer o procedimento. Jamais se deve sacrificar um animal de estimação por qualquer outro motivo que não seja evitar o seu sofrimento ou proteger a integridade física de seus donos.

Em casos de doenças terminais, sem tratamento eficaz, ou de prognóstico sombrio, quando o pet está sofrendo muito, deve-se proceder à eutanásia sem dúvidas. Sacrificar para poupar seu amigo de um sofrimento sem sentido. Outro caso de indicação é quando, mesmo sadio, o animal apresenta uma agressividade cima do normal. Morde outros cães, avança nas pessoas na rua, e morde os próprios donos.

Se mesmo após tentativas de adestramento, terapias comportamentais, castração ou medicamentos, o cão continua apresentando a mesma agressividade, essa sim, pode ser uma indicação de eutanásia, especialmente se o cão for grande, oferecendo assim risco às pessoas.

Qualquer outro motivo, em minha opinião, não é válido para se sacrificar um animal.

Em resumo, o médico veterinário deve fazer o que o proprietário – seu cliente -, lhe pede, desde que isso não vá de encontro ao código de ética, e sempre pensando no bem estar dos animais e das pessoas.

Grande abraço e até a próxima!

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