Entrevista com Marcel Giubilei

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Edição 277 – 10/10/18 a 10/11/18
Fala, Vizinho!
Por Renata Moreira Lima – Fotos: Divulgação

O José da novela Jesus

Filho mais velho de Maria, que não aceita Jesus como o Messias do povo judeu. Este é o personagem que o ator Marcel Giubilei interpreta na novela da rede Record. A carreira iniciada no cinema e no teatro entra agora em uma nova fase indo de encontro às novelas. De Engenheiro à ator, o sonho falou mais alto e Marcel deixou o emprego garantido para ir em busca do que desejava, do que o íntimo dele realmente queria, sua verdadeira vocação: ser artista. Um caminho sem muitas vezes árduo e sem sucesso garantido, mas o melhor caminho para quem sonha, e sonhando alto ele vem conquistando seu espaço e mostrando a que veio. Conheça mais sobre Marcel Giubilei aqui, nas páginas do seu Jornal Copacabana.

Jornal Copacabana: Você era engenheiro, quando passou pela sua cabeça ser ator?

Marcel Giubilei: Eu entrei pra faculdade de engenharia civil aos 17 e me formei aos 22. Me descobri ator aos 15. Fiquei dos 17 aos 28 anos me perguntando e me planejando quando e como eu poderia fazer essa transição, nunca saiu da minha cabeça na verdade!

J.C.: Como foi tomar a decisão de largar tudo e ir atrás do seu sonho?

M. G.: Eu só fui perceber quando já estava acontecendo. Entrei em um estado de estresse absoluto na engenharia, já estava formado há 6 anos e trabalhando muito. Acordava às 5h da manhã, às vezes ficava 24h direto em uma obra… percebi que a qualidade do meu serviço como engenheiro estava caindo. Foi quando meu chefe me chamou no seu escritório e perguntou o que estava havendo. Ali percebi que não queria mais aquilo. Ele, durante mais de duas horas, tentou me convencer do contrário, antes de me despedir. Em vão. Eu já sabia que não seguiria mais com aquilo. Era a hora de tomar coragem e ir atrás do meu sonho.

J.C.: Fez cursos e já começou a carreira no cinema?

M.G.: Fiz dois anos de teatro, ainda em Minas Gerais, onde nasci, e apresentei duas peças na época. Isso em 2001 e 2002 e comecei engenharia. Durante os 11 anos na área não fiz nada relacionado à arte. Quando voltei em 2014, voltei com tudo! Fazendo cursos de cinema e tv, peças, entrei para produção também. O que conquistei como engenheiro me ajudou financeiramente a me manter durante a transição. Com menos de dois anos eu consegui minha primeira participação, na novela A Regra do Jogo, da rede Globo. Foi um papel pequeno, mas as coisas foram acontecendo no seu devido tempo. Depois da minha retomada da carreira de ator, em quatro anos e meio já fiz muitos trabalhos, graças a Deus! Foram 10 peças, 2 comerciais de tv, 2 filmes…

J.C.: Filmes que, inclusive, participaram de festivais importantes, certo?

M.G.: Sim. O Delírius Insurgentes, no qual fazia um pintor que perambulava entre a esquizofrenia e o suicídio, foi para dois festivais na África do Sul. E o mais legal que esse filme foi feito completamente na colaboratividade! Quase 100 profissionais sem receber nada, só no amor a sétima arte. Montamos um crowdfunding (a chamada vaquinha na internet) onde arrecadamos uns 30mil reais. Levantamos mais uma grana e fizemos o filme. No total a produtora gastou em torno de 60/70 mil reais. Além de protagonista, acabei virando produtor executivo do projeto também.

J.C.: Ainda participou de outros filmes.

M.G: Fiz ainda oito curtas-metragens, sendo o último, Clepto, convidado recentemente para seu primeiro festival internacional em Deli, na Índia. Esse virou piloto para um seriado, e estamos desenvolvendo o projeto, eu novamente como produtor executivo (risos).

J.C.: Qual a sinopse?

M.G.: Conta a história de um psicopata cleptomaníaco e como que a exposição excessiva nas redes sociais podem influenciar na vida das pessoas ou até mesmo colocá-las em perigo. Hoje, mais de 80% dos criminosos usam as redes sociais para estudar suas vítimas.

J.C.: Além do Cinema, no teatro a vivencia de encenar Nelson Rodrigues…

M.G.: Fiquei 2016 todo estudando Nelson Rodrigues com um grupo formado no Sesc Niterói e dirigido por Renato Carrera. Desse encontro surgiu a montagem A Serpente, e ficamos durante alguns meses com a peça em 2017. Ter a oportunidade de “rodar” apresentando Nelson e ser dirigido pelo Carrera, é um presente pra qualquer ator. E graças a esse encontro, o Carrera me indicou no começo desse ano para a novela, que na época, ele estava como assistente de direção do Edgar Miranda, diretor geral, na pré produção de Jesus, e me chamou pra fazer um teste para protagonista da novela! Foram horas de teste, junto com o Dudu Azevedo (foto abaixo), e mais outros cinco atores que estavam ali para pegar o papel. Dudu foi o escolhido, e acabou que viramos irmãos na trama.

J.C.: Como está esse novo desafio de fazer televisão como elenco fixo?

M.G.: É outro ritmo né! Uma loucura! Mas tá sendo uma experiência incrível! Somos o país das novelas e admiro quem faz isso diariamente. É muito mais difícil do que parece. Sou o José Filho, irmão mais velho da prole de seis filhos de Maria e José, meio irmãos de Jesus (uma vez que ele é o filho de Deus).

J.C.: Você interpreta o irmão mais velho de Jesus, que não aceita que ele seja o Messias do povo judeu. Como está esse trabalho e o retorno do seu personagem?

M.G.: Tanto José, como os outros irmãos não acreditam em Jesus enquanto Messias, só a nossa irmã mais nova, a Yoná, que o defende. Nosso núcleo apareceria só no início da segunda fase da novela. Isso seria até o capítulo 20, mas a repercussão foi grande e essa semana voltaremos para colocar mais lenha na fogueira!

J.C.: Tem algum outro trabalho ou está focado na novela? E para o futuro?

M.G.: Por enquanto, só a novela, mas para o ano que vem já estamos em pré produção pra peça As Bruxas de Salém, que já tem Agatha Moreira confirmada no elenco e direção do Renato Carrera. Ele diz que esse clássico mundial nunca foi montado no Brasil, com as suas devidas proporções de clássico! Vem uma mega produção aí! A produtora do Delírius já está na pré produção de um novo longa que, possivelmente, será para o segundo semestre do ano que vem. Mas ainda não posso falar muito sobre esse projeto! (risos).

J.C.: O que espera desse novo momento profissional onde o filme cult da lugar à novela comercial? Há diferença na preparação? Como lidou com isso?

M.G.: Cada trabalho já traz um mundo de novas oportunidades e relações. Mesmo quando é de um filme para outro. A preparação é muito diferente: outro tempo de preparo, outra dinâmica de set, outro tipo de audiência e linguagem. Lidei bem! Eu me dou bem com o novo, rotina nova, grupo novo de trabalho… até prefiro… rotina por rotina, que eu tenha uma diferente a cada 6 meses. (risos).

J.C.: Logo que chegou no Rio para começar a caminhada em busca da realização do seu sonho, foi Copacabana o bairro que te acolheu. Fale do tempo como morador de Copacabana.

M.G.: Sim, cheguei em 2012 no Rio, pra ficar no quartinho de serviço do apartamento de um amigo em Copa. E de lá as coisas foram acontecendo. Meu primeiro ap no Rio foi, também, no bairro, na mesma rua, inclusive. Morei por quatro anos e meio na Domingos Ferreira, para mim, umas das melhores ruas de Copacabana. Ao mesmo tempo que tem a tranquilidade de uma rua “mega” arborizada, você está no centro do bairro e encontra tudo no quarteirão a sua volta. Muito prático! Além de ter a praia logo ao lado. Sempre gostei de exercício, e ter essa facilidade de ir correr, pedalar na orla é uma delícia, e um privilégio.

J.C.: Agora está entre São Paulo e a Lagoa, logo aqui pertinho no Corte do Cantagalo. Ainda frequenta Copacabana?

M.G.: Sempre estou em Copa, seja a lazer ou a trabalho. Depois que saí do meu ap em Copa, passei uns meses em Berlim e voltei para o Rio, mas logo depois fui pra São Paulo e fiquei por lá por nove meses, mas sempre aqui há trabalho ou pra rever os amigos. Em abril voltei para Rio, e hoje moro na Lagoa com uma irmã que a vida me presenteou.

J.C.: Deixe seu recado para nossos leitores:

M.G.: Obrigado ao Jornal Copacabana pela entrevista e pelo espaço, e assim, os leitores poderem conhecer um pouco mais de minha trajetória e meu trabalho. Copacabana é um lugar especial, onde vivi muita coisa boa, e ela vai estar sempre guardada em um lugar especial do meu coração.

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